RallySpirit: - Soltas do evento
Fique com algumas notícias soltas do Altronix RallySpirit que este fim de semana animou Vila Nova de Gaia e os arredores da Vila do Coronado.
Muito público
O público aderiu em força para as bermas das estradas, e até na noite fria de 6ª feira o Quartel Militar da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, recebeu uma boa moldura humana para assistir à super-especial. A adesão foi enorme, se for vista no contexto actual dos ralis em Portugal.
Spirit a fazer relembrar Legends
Os italianos têm o Rally Legends em S. Marino e nós temos o RallySpirit, e não há duvidas que a ideia de Pedro Ortigão é replicar a fórmula em Portugal. Carros diferentes e emblemáticos, a maioria dos pilotos preocupados em dar espectáculo e o público a vibrar. Obviamente que temos de salvaguardar o facto de não sermos os italianos, não termos a cultura automobilística dos italianos nem o parque automóvel deles.
Um entusiasmo que só o povo latino tem
Já temos visto imagens do Rally Legends em que qualquer rotunda serve para os pilotos dar espectáculo mesmo em estrada aberta. Após o último parque de assistência na Vila do Coronado as equipas faziam uma última passagem em ligação pelo parque da estação onde tinha funcionado o parque fechado. A autoridade mandava parar o trânsito na EN318 para os pilotos entrar nessa via, com umas três dezenas de espectadores a assistir. José Cruz decide fazer uma sessão de piões com o Porsche 928 nesse cruzamento, e em poucos minutos essa zona tinha centenas de pessoas, no passeio, nos jardins, nas varandas, à janela. Foram muitas as equipas que se seguiram a deixar a EN318 com muita borracha no chão, foi um final de prova apoteótico para as gentes da Vila do Coronado e um tipo de manobras a fazer lembrar os ralis de outros tempos, em que as coisas não eram tão "herméticas" nem "clean" como agora.
Lembram-se de António Boto?
O belo Ford Escort WRC de Toño Villar que ostentava a decoração da Martini tinha no banco do lado direito António Boto. Este veterano foi navegador de Carlos Sainz entre 1983 e 1987. Navegou o piloto madrileno quando este entrou para a Renault e acompanhou-o nas primeiras provas do mundial com o Ford Sierra RS Cosworth, tendo ainda conseguido um título espanhol de ralis.
As recordações que Ari Vatanen tem do Peugeot 205 Turbo 16?
Talvez por ser o carro em que Ari Vatanen conseguiu as suas ultimas vitórias, o Peugeot 205 Turbo 16 é aquele que muito do público associa ao piloto finlandês. E o que pensa Vatanen do Peugeot? "É o carro que me acompanhou na fase mais importante da minha carreira, porque foi com ele que eu quase perdi a vida no acidente do Rali da Argentina. Não tem a ver com questões técnicas ou desportivas, tem antes a ver com questões pessoais e emocionais. Mas era um grande carro, numa grande equipa liderada por Jean Todt, e com o 205 consegui o melhor e o pior."
As noites fazem mal aos carros
A noite ao relento que as viaturas tiveram de 6ª para Sábado na Vila do Coronado deixou marcas. Foram muitas as viaturas que se recusaram a pegar de manhã e as penalizações aconteceram com fartura. Até o Escort WRC de Ari Vatanen teve de ser empurrado para o motor entrar em marcha...
Jorge Paulo, o comissário técnico, dizia-nos que nos ralis do antigamente havia sempre um conjunto de velas pronto para mudar no reinício de um rali depois de uma noite ao relento.
Vatanen descontraído
Aos 65 anos Ari Vatanen ainda se diverte muito ao volante de um carro de competição. "Tenho muitas coisas para fazer na minha vida, e como deves imaginar se não fosse um enorme prazer vir a ralis como este não vinha." O simpático piloto finlandês esteve sempre muito disponível para autógrafos e fotografias, mas sempre muito descontraído. Tão descontraído que no reagrupamento de Sábado foi necessário procurá-lo quando o Ford Escort WRC já era o único carro no parque, já todos tinham partido! Vatanen estava numa pastelaria bastante divertido a comer e a conversar... "foi um belo rali, bom tempo, muito publico e agora uns 'donnuts' para acabar. Puro divertimento!" afirmava o finlandês no Coronado ao final da tarde de Sábado depois de fazer uma sessão de piões dentro do parque da estação.
É necessária mais promoção
Não há duvidas que o RallySpirit já está num patamar bastante elevado para os nossos padrões, mas há trabalho a fazer. Pedro Ortigão tem de trabalhar mais na promoção da prova e para isso é necessário investimento, pois o rali começa e acaba em Vila Nova de Gaia mas uma grande parte dos habitantes continua a desconhecer a sua existência. Contudo, comparando a prova deste fim de semana com o Rali Casino de Espinho ou a Baja TT Rota do Douro, o RallySpirit está muito à frente.
José António Marques
Foto: Tiago Soares da Costa
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